O Comprometimento e sua Influência no Destino das Pessoas
e Organizações.
Vivemos loucamente em busca da satisfação de nossas
necessidades básicas, e de nossos desejos egoístas.
Do nascer ao por do sol o cotidiano se repete hoje, quase como ontem
e provavelmente muito parecido com o amanhã. Alienados pela
velocidade, sob pressão, e na superficialidade de nossas
relações profissionais, afetivas e sociais perdemos
nossa identidade e sentido, e sem perceber assumimos compromissos,
que se fortalecidos pela clareza e consciência do propósito
fundamental de nossa existência jamais aceitaríamos.
Faz-se importante para maior clareza conceitual a definição
de comprometimento, que segundo Kiesler e Nakamura (1996) é...
“O sentimento de auto responsabilidade por um determinado
ato, entendido como livremente escolhido, público e irrevogável”.
O triste fato, facilmente percebível é que já
não sentimos a responsabilidade pelo que dizemos ou fazemos,
pela expectativa gerada no outro e não satisfeita, pois racionalizamos,
manipulamos, justificamos e culpando o tempo, o trânsito,
e na maioria das vezes, nosso próximo, por nossa incapacidade
em assumirmos a força criadora do nosso destino, o poder
de decidir! Segundo pesquisa realizada pelo Fórum de Assuntos
Públicos dos E.U. A e citada no site www.gestaoerh.com.br,
apenas 25 % dos funcionários americanos acreditam estar comprometidos
com seu trabalho, 50% fazem o mínimo possível só
para manter seus empregos e finalmente, 75 % declararam estar em
condições de serem mais produtivos do que estavam
sendo no momento. Isso sem falarmos em nossos compromissos pessoais,
e nas várias esferas onde o ato de comprometer-se é
decisivo e central em nossa vida. Porém a questão
é: O que faz com que pessoas dos mais diferentes níveis
sociais e mesmo em diferentes culturas, não consigam cumprir
seus compromissos assumidos explícita ou implicitamente?
Muitas são as respostas, podemos começar citando Maslow
e sua Hierarquia das Necessidades, ou Freud versando sobre o homem
em sua busca do prazer e fuga da dor, até chegarmos a Victor
Frankal e a necessidade de sentido na vida, sendo esta última
perspectiva talvez a mais premente na sociedade contemporânea.
Por outro lado, sofremos a ilusão do otimismo, que se caracteriza
por imaginar de forma fantasiosa, e sem nenhum merecimento, que
algo melhor vai nos acontecer, que seremos promovidos, encontraremos
o amor de nossos sonhos, e tudo vai se encaixar na hora certa em
nossa vida. Também somos auto-indulgentes em relação
a nossas falhas de caráter, mas não perdoamos os pequenos
deslizes do outro. Perceba que os comportamentos citados relacionam-se
com nossa incompetência em escolher e cumprir compromissos,
incompetência esta que tem sua origem na imaturidade, irmã
da inconsciência, inimiga oculta que esconde nosso passado,
fragiliza nosso presente, e pouco a pouco destrói a vontade
de realização de nosso potencial máximo; viver,
amar e aprender. Em tudo o que fazemos, ou deixamos de fazer fica
a clara expressão de quem somos, o que buscamos, e do que
temos a oferecer . Podemos em um simples telefonema demonstrar integridade,
sincera disposição de servir, e também a ausência
destas qualidades, transmitindo então fragilidade, desinteresse,
e submissão à própria fraqueza. Quantas vezes
você disse ... Te ligo em cinco minutos... e não cumpriu
com suas próprias palavras, ou prometeu a solução
de problemas sob sua responsabilidade direta e se esqueceu de seu
compromisso com clientes e amigos, sem refletir sobre o custo emocional,
de tempo ou dinheiro para todos os envolvidos, ou seja, para os
que confiaram em você (empresa, clientes e parceiros). E finalmente
por que, muitas vezes, você se esquece de si mesmo, colocando-se
em segundo plano, ao fugir do caminho que te faria feliz? Saiba
que sua capacidade de estabelecer seu propósito fundamental
de vida e de realizá-lo nesta existência passa antes
pela reflexão das conseqüências de não
cumprir verdadeiramente com compromissos firmados em todos os níveis,
e como isso impede seu progresso humano e profissional. Quando nossos
atos desmentem nossas palavras alimentamos um ciclo destrutivo que
afeta nossa vida de forma ampla e que nasce da incapacidade crônica
de sermos íntegros, e verdadeiros com nossos valores e projetos
de vida, limitando consequentemente a energia disponível
em nós próprios e nas organizações para
realizarmos nossa visão e proposta de valor para um mundo
melhor. Gostaria muito que com máxima sinceridade você
avaliasse os seguintes pontos. Como fica a sua credibilidade profissional,
a marca corporativa, os produtos e serviços de sua empresa,
o clima organizacional quando pessoas não cumprem com os
compromissos que voluntariamente assumiram, e que vão progressivamente
corroendo a credibilidade e a qualidade percebida de produtos e
serviços?
Lembre-se que tornar tangível a qualidade de produtos ou
serviços depende essencialmente da habilidade das organizações
em construir credibilidade em toda a cadeia produtiva, do fornecedor
até o cliente final e isso só é possível
através de pessoas verdadeiramente comprometidas.
Também gostaria de alertá-lo que quando os compromissos
mais simples não são cumpridos, dificilmente a empresa
cumprirá os de maior importância, ou os imediatamente
ligados ao seu “Core Competence”, que a diferenciam
e justificam sua razão de existir. Estamos, neste ponto,
nos referindo exclusivamente às conseqüências
do problema no âmbito organizacional.
Mas alguém pode argumentar que se as coisas derem erradas
e se a credibilidade se perdeu, sempre é possível
ter uma segunda chance, mudar de emprego, de cidade, encontrar um
novo relacionamento, ou cliente e pensando bem, talvez exista alguma
razão neste argumento, pelo menos até aqui.
Agora, reflita sobre esta consideração final. Como
fica a confiança em si mesmo e em sua capacidade de superação,
quando enfrenta os desafios e adversidades inerentes à vida
e vivencia situações críticas que não
pode postergar, ao constatar que já não acredita no
que diz? Como poderá ajudar a si próprio e a outros
quando a frouxidão de caráter se tornar evidente?
Como você reagirá frente a obstáculos só
transponíveis com coragem, fé e determinação,
que estão disponíveis apenas para quem as exercitou
ao longo de uma vida íntegra, de trabalho duro frente às
próprias limitações com humildade e perseverança.
Estas são as conseqüências que enfrentará
todo aquele que se fizer fraco frente a si mesmo, sentindo na superfície
da pele e nas entranhas da alma o esgotamento inexorável
do tempo e das oportunidades. Agora lhe proponho um exercício,
faça-o após ler este artigo. Hoje á noite,
antes de dormir vá para frente de um espelho, respire profundamente,
olhando no fundo de seus olhos e pergunte a si mesmo; Tenho sido
digno do presente que recebi de DEUS, digno dos meus companheiros
de jornada, das oportunidades e das dores a mim confiadas, e mais
do que tudo, digno da vida que sempre espera por mim? Exerço
minha liberdade escolhendo com responsabilidade meu trabalho, meus
amigos e o meu caminho, pois refletem verdadeiramente meu compromisso
de vida? Estas reflexões que lhe proponho subvertem a ordem
normalmente utilizada nas organizações, onde a empresa
é que tem por objetivo criar a cultura que favoreça
o comprometimento do colaborador. Do meu ponto de vista, que é
complementar ao desenvolvido nas empresas, trabalho com o indivíduo,
pois é nele que está potencial máximo a ser
descoberto. Assim espero que juntos possamos, após o encontro
com nosso verdadeiro sentido e missão, compreendermos em
mente e espírito o poder transformador da fidelidade e do
compromisso e respeito à vida, pois direcionam conscientemente
nossa existência para a manifestação de nossos
talentos únicos. E se você ainda não fez, assuma
neste momento sua força maior, sua responsabilidade na construção
do bem comum pelo poder de suas palavras, e principalmente de seus
atos, seja o artífice da obra, artesão do destino,
criador do mundo, pois a felicidade que espera por você, só
lhe pede Compromisso, Verdade e Luz!
Marcelo Prates |