A Negociação como fonte de Vantagem Competitiva
No mundo globalizado, onde novos e melhores produtos e serviços
são gerados em profusão, estabelecer uma marca sólida,
sustentada por atributos valiosos é uma tarefa Hercúlea.
É comum que, na ânsia por melhor desempenho, gestores
busquem soluções mercadológicas complexas que
muitas vezes, mais confundem, do que posicionam a marca de maneira
efetiva, seja ela corporativa, ou de uma determinada linha de produtos.
Esta incapacidade em desenvolver e transmitir percepções
superiores nos níveis requeridos pelo consumidor, ou seja,
diretamente ligadas ao core competence da empresa, impede a construção
de valor, sendo portanto mortal para Marca em qualquer segmento
da atividade produtiva, seja ela desenvolvida em uma pequena, média
ou grande organização. Desta forma, devemos sempre
nos atentar, principalmente nos momentos de crise, para os fundamentos
basilares que sustentam os mercados, assim, para maior clareza,
proponho as seguintes questões: Como a empresa pode diferenciar-se
de seus principais concorrentes, com rentabilidade superior de forma
sustentável? Qual o custo de produção que viabiliza
a rentabilidade do negócio, sem destruir os níveis
de qualidade requeridos? Como estabelecer uma posição
única, rentável e defensável, mantendo adequada
flexibilidade para atender as demandas do mercado? Estas questões
além da relevância para a análise de uma empresa,
remetem ao conceito amplamente utilizado de vantagem competitiva,
que segundo Michael Hitt (2002) é... “A capacidade
de gerar valor, que não pode ser copiada de forma rentável
pelo concorrente”.
Se você me acompanhou até aqui, na dura seara do pensamento
estratégico, deverá estar perguntando: "Mas qual
a relação disso tudo com Negociação?"
Bem, esta introdução se faz importante justamente
para evidenciar a intersecção destes dois temas, onde
gerar valor é fator crítico de sucesso tanto em processos
tangíveis, como na linha de produção automobilística,
quanto nos intangíveis, quando a credibilidade de um negociador
e da empresa que ele representa diminui o risco percebido e consequentemente
os juros na captação de recursos bancários.
Veja que negociar, segundo Marc Burbrige da prestigiada Harvard
Business School é ... “O processo pelo qual duas ou
mais pessoas se comunicam buscando chegar a um acordo sobre valores
escassos”. Note que o conceito de valor é central e
comum às duas definições, e não é
por acaso, como pudemos observar nos exemplos acima, pois em ambos
os casos a negociação está presente. Perceba
que profissionais devidamente treinados em negociação,
podem utilizar suas habilidades dentro dos mais variados cenários,
independentemente da descrição formal de seu cargo
ou do segmento de atuação da empresa, de forma a desenvolver
relacionamentos profícuos dentro da cadeia produtiva. Quando
a técnica de negociação é explorada
de forma ótima gera credibilidade, e este é o combustível
inerente à vantagem competitiva sustentável. Assim,
negociar bem é, em nosso entendimento, uma capacidade insubstituível
e geradora de vantagem competitiva pois; 1) impede o avanço
dos concorrentes junto a clientes e fornecedores; 2) mesmo a cópia
de produtos e serviços não é suficiente para
destruir relacionamentos sólidos entre parceiros de fato;
3) a qualidade advinda de uma equipe comprometida em gerar valor
superior potencializa a estratégia corporativa e muitas vezes
também atua em sentido contrário, diminuindo gap's
entre a qualidade esperada e a percebida.
Como em essência, negociar envolve a construção
de credibilidade, através da comunicação e
do relacionamento, em última instância permite legitimar
interesses criando alternativas, para ao final ser viável
o estabelecimento de um compromisso / acordo. Portanto, se você
ainda não domina a técnica de negociar, saiba que
negociar bem é totalmente antinatural, pois exige que evitemos
nossas características de comportamento mais básicas,
principalmente quando as mesmas são identificadas por uma
profissional de negociação “in loco”,
ou seja na mesa de negociação, e que provavelmente
irá utilizá-las contra você. Desde criança
somos todos negociadores, como quando chorávamos e fazíamos
manha para atingir nossos objetivos de atenção, alimentação
e carinho... etc. O problema é que quando crescemos, as coisa
se complicam, e os apelos emocionais deixam de ter a mesma eficácia.
Enquanto adultos, algumas de nossas decisões tem um impacto
muito mais amplo, pois afetarão a vida de muitas pessoas.
Por outro lado, quando estamos preparados para trabalhar sob pressão,
relacionando-nos com pessoas imprevisíveis, em circunstâncias
críticas, e mesmos assim, conseguimos não abrir mão
de nossos objetivos prioritários, competimos com grande vantagem.
Negociar bem é hoje uma competência básica
que lhe ajudará a ser mais objetivo, a evitar concessões
desnecessárias, a gerar maior valor para todos os envolvidos,
economizando tempo, recursos financeiros e emocionais. Assim, espero
que este artigo lhe seja útil para refletir sobre a importância
deste tema, bem como avaliar seu desempenho profissional, ao construir
pontes, e contornar obstáculos, extraindo, por meio do que
você tem de melhor, o melhor dos outros. Gostaria de concluir
com esta última reflexão: "Em nossas vidas, muitas
vezes não temos o que realmente merecemos, mas sim o que
negociamos." Desejo-lhe sucesso como negociador, e que os frutos
colhidos sejam divididos e fraternalmente partilhados para o bem
comum.
Marcelo Prates |